Entrevista – Roberto Fróes, proprietário do Vemag preto 1961

Fotos: Marcus Lauria

Foi em um dos vários encontros do Opala Clube, que frequento, que tive a oportunidade de conhecer o entrevistado desse mês. O escolhido chama-se Roberto Fróes e seu xodó é um Vemag preto 1961, totalmente original. O carro é rico em detalhes e exibe a tão desejada placa preta. Roberto é Arquiteto, tem 59 anos de idade, acredito eu, bem vividos, isso pelas conversas que tive com ele. Um bom entendedor de automóveis Frós curte muito carros antigos e tem alguns projetos pela frente, que serão desvendados no decorrer da leitura da entrevista. Seu atual Vemag preto foi adquirido em setembro de 2003, mas só andou em 16 de agosto de 2005, em teste para a estréia no dia seguinte, 17 de agosto, no Encontro do Museu Conde de Linhares, em São Cristovão, no Rio de Janeiro. Atualmente Fróes está aposentado e para ter uma renda extra acaba alugando seu Vemag para casamentos, filmagens e eventos em geral. Bom, convido aos leitores do site terem uma boa leitura da entrevista.

CPN – Como começou a sua paixão por carros?

RF – Acho que já nasci assim…

Desde que eu me conheço por gente que eu gosto de carros! Um de meus primeiros “trabalhos artísticos”, no tempo do jardim de infância, foi uma pintura feita com os dedos, adivinhe de quê? Eu a tenho até hoje, com moldura, em minha sala.

CPN – Quantos e quais carros antigos você já teve?

RF – Eu tive Dauphine, Ford modelo A, DKW Vemaguet e Chevrolet Belair, motos Zündapp e Jawa, todos antigos, mas não com esse intuito: Eram veículos de meu uso normal, o que de mais barato se podia encontrar na época. Na verdade, não eram antigos, mas velhos. Como veículos antigos, no sentido que gostamos de dar à palavra, tive duas motos Honda CB 500 Four, 1973 e 1974, um BMW 2002 Ti 1970, e tenho atualmente o DKW Belcar 1961. E tenho ainda outro DKW Belcar, esse ainda em reforma. Não uma restauração, mas uma recriação de uma das carreteras da equipe Vemag de competições.

CPN – Por que o Vemag?

RF – As pistas dos anos 60. As carreteras. Os Malzoni. O cheiro do óleo (dois tempos) Castrol R queimado, um verdadeiro perfume… e o uivo endiabrado daquele motorzinho. Você não sabe o que era estar na beira da calçada, no circuito da Barra da Tijuca ou na Ilha do Fundão, ambos de rua, e ver passar aquelas máquinas furiosas, voando, a poucos centímetros, deixando no ar o cheiro de óleo e gasolina queimados, mais pneus… uma emoçãoindescritível, impossível de ser revivida… só mesmo quem esteve lá para saber!

CPN – Conte-nos como foi a reforma do seu atual Vemag preto.

RF – Trabalhosa. Desgastante. Cara. Altamente compensadora, ao final. Depois do carro (quase*) pronto, muitas alegrias e reconhecimento.
Mas durante os dois anos de oficina, muita chateação e aborrecimento. Inúmeras viagens à oficina do lanterneiro, no interior do estado, a 150 km do Rio. Todos, repito, todos os sábados, durante 15 meses. Ele fez também a mecânica de chassis. Depois, mais 8  meses entre pintura, montagem, capoteiro…

Tudo foi esquecido com a estréia do carro. *Carro antigo não fica pronto nunca, sempre tem algo que pode ser melhorado ou substituido por uma peça mais nova.

CPN – Pode nos contar um pouco da história da Vemag nas competições automovias no Brasil?

RF – Veja o link: http://www.obvio.ind.br/A%20equipe%20Vemag%20e%20seus%20ases%20do%20volante%20-%201965.htm

CPN – Quais seus projetos futuros, vem mais Vemag por aí?

RF – Claro, só Vemag. A não ser que eu fique milionário, aí eu terei todos os modelos DKW, e mais um Chevy Cheetah, uma Lola GT, um Ford GT 40, um Porsche 917 e um Bugatti Atlantic 1936. Mas pondo os pés na terra, vem vindo por aí uma réplica da carretera Vemag nº 10, que correu as 1000 Milhas de Interlagos em 1961, sob as mãos de Mário – Marinho – César de Camargo Filho e Bird Clemente. Mais adiante, um DKW Candango, eu chego lá…

E no futuro, quem sabe, um DKW GT? Não conhece??? Surpresa… ninguém conhece… aguardem…

CPN – Tem algums dica para dar aos leitores para se fazer uma boa reforma de um carro antigo?

RF – Calma, muita calma. Sem precipitação. Mas sem descanso. Venere a Internet, o maior auxílio que se pode ter hoje para facilitar a busca por peças e informações. Procure um grupo dedicado à marca escolhida. Converse com o grupo, pergunte, exponha seus problemas. E leia tudo, absolutamente tudo que achar sobre o carro escolhido. Comece por um carro nacional, bem mais fácil de fazer. É evidente que você não deve iniciar-se no antigomobilismo com um FNM Onça, uma Romi-Isetta ou um Uirapuru: que tal um Fusca?