Peugeot 208 GT 1.6 THP (Flex) 2017

Por Marcelo Silva – Fotos: Marcus Lauria

Desde que o Peugeot 208 chegou ao mercado brasileiro, seu visual instigante e seu volante pequeno faziam a esportividade transpirar pelos poros do hatch. Na Europa, a versão esportiva GTi não demorou a surgir, com motor 1.6 turbo de 208 cv e carroceria de duas portas mas, por aqui, levou algum tempo até que a Peugeot finalmente nos brindasse com alguns cavalos a mais sob o capô do compacto. E, quando veio, veio diferente do que desejávamos, mas está mais do que suficiente.

Com etanol no tanque, 173 cavalos são responsáveis por carregar 1196 kg. Isso dá uma respeitável relação peso/potência de 6,91 kg/cv, suficiente para o Peugeot 208 GT acelerar de 0-100 km/h em 8 segundos na nossa avaliação. Sua velocidade máxima, segundo a Peugeot, é de 222 km/h. Tais números habilitam o 208 GT a ser chamado de esportivo, e são números que rivalizam diretamente com Renault Sandero RS, Suzuki Swift Sport R e Citroën DS3, seus únicos concorrentes reais no mercado nacional, visto que o Fiat Punto T-Jet foi descontinuado esse ano.

O motor responsável por dar vida selvagem ao 208 GT é o já conhecido Prince THP, 1.6 16V turbo com injeção direta e duplo comando variável na admissão e no escape. Ele rende 166/173 cv @ 6.000 rpm (G/E) de potência e 24,5 kgfm @ 1.400 rpm (G/E) de torque. Quem orquestra a força é uma transmissão manual de 6 velocidades, com engates rápidos e precisos. A relação de marchas é mais longa do que a encontrada no Sandero RS, por exemplo, mas não mata a esportividadee do carro, cujas acelerações são sempre vigorosas, não importando a marcha engatada.

A esportividade do 208 GT está presente em alguns detalhes no exterior, caso das exclusivas rodas aro 17 calçadas por bons pneus Michelin Pilot Sport 3 de medida 225/45 R17. Há também uma grade exclusiva mesclando vermelho e preto, retrovisores pintados em preto, assim como o aerofólio. Na parte mecânica, fora motor e câmbio, o carro conta também com freios a disco nas quatro rodas. Ao contrário dos rivais da Renault e da Suzuki, as modificações de suspensão foram discretas, deixando-as mais rígidas. A altura de rodagem está mais baixa, enquanto a direção está mais direta. Na traseira, as duas saídas de escape emitem um ronco bem encorpado, que dá gosto.

Do lado de dentro, há bancos com revestimento exclusivo e um volante único dessa versão, que traz um badge GT na parte inferior, revestimento em couro com uma tira vermelha no topo, remetendo aos carros de rali, além de ter uma ótima pegada, com mais volume aonde os polegares se apoiam. O i-cockpit do Peugeot 208 tem na versão GT sua redenção, combinando esportividade visual e funcional. No cluster, há dois aros vermelhos iluminados ao redor de velocímetro e conta-giros, enquanto os marcadores de combustível e temperatura adotam ponteiros apenas nessa versão.

O espaço interno do 208 GT é bom na dianteira, com direito a amplas regulagens de banco e volante, auxiliando o condutor. Na traseira, o espaço é contido para pernas e cabeças, sendo suficiente apenas para adultos de 1,75 m ou menos. Seu porta-malas carrega suficientes 285 litros. Quanto aos equipamentos, o carro vem bem equipado com seis airbags, central multimídia com GPS, teto panorâmico e ar-condicionado digital de duas zonas, entre outros itens.

Manobrar o 208 GT não é tarefa complicada, visto que o carro tem dimensões contidas, boa visibilidade em todas as direções, câmera de ré e sensores de estacionamento na dianteira e traseira. Seu diâmetro de giro de 11,2 m é apenas razoável. A direção elétrica é bem suave em manobras. A mesma suavidade não se repete na embreagem, que tinha acionamento ligeiramente pesado no carro testado.

No trânsito urbano, o 208 GT é dócil, mesmo com o torque máximo chegando em uma rotação baixa. Por sinal, o mesmo torque permite trocar as marchas em 1-3-5 ou 2-4-6 de acordo com a preferência. Suas suspensões rígidas cobram o preço nas ondulações e buracos das cidades brasileiras, mas o carro é bem menos cruel com a coluna do que o Sandero RS, por exemplo. No trânsito pesado, com ar-condicionado sempre ligado, encontramos uma razoável média de 6,8 km/l com etanol no tanque.

Já nas estradas, o pequeno esportivo entrega ao condutor o melhor que ele pode oferecer. Não há qualquer situação em que o carro fique devendo potência, estando sempre pronto para acelerar vigorosamente com qualquer acelerada. Acelerações e retomadas são feitas com rapidez, o que garante ótima segurança para as ultrapassagens. O refino de construção do 208 fica evidente com a boa dinâmica do carro, que é dianteiro no limite, mas esse limite está bem longe de ser encontrado em estradas comuns e, além disso, esse é o único Peugeot 208 do mercado brasileiro a trazer controles de tração e estabilidade. Seus freios são precisos, com bom feeling do pedal.

Fato é que a esportividade cobra um preço no conforto, quando se viaja tranquilo com o 208 GT. O som do escapamento em ritmo de cruzeiro pode incomodar ouvidos mais sensíveis, enquanto a suspensão é dura e tem pouco molejo na rodagem. Mas lembremos que estamos em um hot hatch, com 173 cv bem dispostos e um desempenho respeitável e, ao final de uma viagem, o sorriso no rosto não será amarelado por esses pequenos detalhes. E, andando de forma tranquila, o 208 GT faz 10,8 km/l com etanol no tanque.

No geral, o 208 GT pode não ser o que esperávamos, com carroceria duas portas e motor de 208 cv mas, na prática, ele entrega tudo aquilo que precisamos quando buscamos um hot hatch: desempenho voraz, comportamento afiado e sorriso de orelha a orelha. R$ 81.490 estão longe de ser uma pechincha, mas garanto que há poucos carros nessa faixa de preço que conseguem ser tão divertidos. Vida longa ao Peugeot 208 GT!