Citroën C3 Exclusive 1.6 VTI Flex Aut. 2018

Por Marcelo Silva – Fotos: Marcus Lauria

O Citroën C3 sempre foi um carro agradável, especialmente depois que ele passou por essa remodelação em 2012, cujo visual e conteúdo permanece praticamente inalterado até hoje. É um raro caso de carro que mantém o mesmo visual por tanto tempo, e isso é ao mesmo tempo bom e ruim.

Comecemos pelo lado bom olhando o C3 por fora. Esse é um carro que sabe envelhecer bem, seu visual traz linhas que remetem aos clássicos da Citroën e, com isso, permitem que o jeitão retrô do carro se mantenha bonito até hoje. Claro que a própria linha da marca francesa já passou por fortes mudanças em seu DNA, mas o C3 não sente tanto o peso da idade como sentiria um Palio 2012 por exemplo.

Seu estilo mais arredondado traz bom espaço interno nos bancos dianteiros, com sensação de amplitude realçada pelo apaixonante para-brisa Zenith, algo que os carros de outras marcas nem sonham em possuir. Na traseira falta um pouco de espaço, mas o porta-malas comporta bons 300 litros. A posição de dirigir é elevada, mas não há dificuldades para encontrar uma boa posição para braços e pernas.

Debaixo do capô está o interessante motor 1.6 16V aspirado, que rende 115/118 cv @ 5.750 rpm de potência e 16,1 kgfm @ 4.750 rpm com qualquer combustível, mas o principal trunfo do C3 agora é o câmbio automático de 6 velocidades, que se entende bem com o motor e possui modo de condução econômico, esportivo ou normal, de acordo com a preferência do motorista. O novo câmbio deixou o C3 mais frugal, rendendo 10,9 km/l de gasolina na cidade e 13,2 km/l na estrada.

Com bom desempenho, o motor dá conta dos 1.202 kg do C3 sem dificuldade, mas está longe de entregar a esportividade vista em alguns concorrentes como Polo e Fiesta. De qualquer forma o C3 nasceu para ser confortável, e faz isso muito bem, com suspensões bem calibradas para o asfalto ruim e na medida certa para a estrada. O carro acelera bem e retoma com suavidade, sempre dentro do esperado para a sua categoria.

Mas há também o lado negativo de sua longevidade, e isso começa pela ausência de airbags laterais e controles de estabilidade. Seu painel tem visual antigo e a central multimídia tem apenas Apple CarPlay, ignorando o Android Auto. E seu ABS deixa a desejar em frenagens sobre superfície irregular e pouco aderente, como paralelepípedo molhado, aonde os freios não se entendem com a central do ABS e demandam atenção nas frenagens.

No geral, estamos falando de um bom carro, com boas qualidades para ocupar a sua garagem e que continua agradando mesmo depois de tanto tempo no mercado. Seu preço de R$ 65.490 é um pouco salgado, mas fica em torno de R$ 10.000 abaixo das versões topo de linha da concorrência. Se os pontos negativos não te incomodam tanto assim, ainda pode ser uma boa escolha.