Chevrolet Cobalt Elite 1.8 8V Aut. Flex 2018

Por Marcelo Silva – Fotos: Marcus Lauria

De 2011 para cá, o mercado automotivo brasileiro mudou bastante, e o Chevrolet Cobalt acompanhou as novidades como foi possível. Quando lançado, trazia apenas motor 1.4 e câmbio manual, e hoje traz apenas versões com motor 1.8 e opção de câmbio manual ou automático. E o carro que antes era espaçoso porém espartano agora traz um pouco de requinte, especialmente nessa versão Elite.

Sucesso entre taxistas, o Cobalt tinha a concorrência de modelos como Toyota Etios sedã e Nissan Versa, além do Honda Fit, e sua vida não era tão complicada. Porém, com a chegada de concorrentes recheados de tecnologia, conforto e preço, como Fiat Cronos, VW Virtus e Toyota Yaris, como será que o Cobalt Elite consegue se defender? Vejamos em nosso teste.

Observando seu visual exterior, o carro traz um bom porte, tem dimensões harmoniosas e linhas bem mais atraentes agora do que tinha antes. Ao ganhar a insígnia Eco, além das mudanças no motor, o Cobalt traz ainda menor altura de rodagem e uma série de defletores aerodinâmicos no assoalho, ajudando a melhorar a diminuir o arrasto e melhorar o rendimento, especialmente na estrada. A versão Elite traz rodas aro 15 e cromados exclusivos, que dão um certo toque de classe ao carro.

Do lado de dentro, continua sendo o mesmo carro espaçoso de sempre, e o revestimento em couro combina preto e marrom em proporções amigáveis. Infelizmente a posição de dirigir continua elevada demais, e motoristas altos irão se incomodar com o retrovisor central atrapalhando a visão à diagonal direita. Fora esse detalhe, o Cobalt abriga bem cinco passageiros de boa estatura, com destaque para o espaço disponível para a cabeça de quem viaja atrás, superior ao da concorrência. No porta-malas viajam bons 563 litros.

A linha 2018 ganhou alguns itens que fizeram bem ao Cobalt, como a ancoragem de cadeirinhas por isofix/top tether no banco traseiro, a luz traseira de neblina e o sensor de pressão dos pneus. Além disso a versão Elite vem bem equipada com central multimída MyLink 2, serviço de concierge e SOS OnStar, sensor crepuscular e de chuva, banco traseiro bipartido e câmera de ré. Para uma versão topo de linha, ficou devendo itens como ar-condicionado digital, retrovisor eletrocrômico, mais airbags (há apenas os frontais) e principalmente controles de tração e estabilidade.

Debaixo do capô está o longevo motor 1.8 8V, que está em sua melhor forma, com a adição de novos pistões e bielas, uso de óleo menos viscoso (0W20) e alternador com sistema de recuperação de energia, por exemplo. As alterações são voltadas para a economia, mas os 106/111 cv @ 5.200 rpm (G/E) de potência e os 16,8/17,7 kgfm @ 2.600 rpm (G/E) de torque são suficientes para os 1.129 kg do carro. Seu câmbio automático GF6-3 de terceira geração contribui para o bom rendimento, com trocas suaves, reduções rápidas e capacidade de se adaptar ao estilo de condução do motorista.

Rodando na cidade, o Cobalt filtra bem as irregularidades do solo e trata bem a coluna dos passageiros, mesmo com os pneus Michelin Primacy 3 195/65 R15 calibrados para privilegiar a economia de combustível. O isolamento acústico é bom e o câmbio faz as trocas sempre bem cedo, privilegiando a força em baixa do motor 1.8. A direção elétrica é bem leve e ágil a baixas velocidades. Quanto ao consumo, “nosso” Cobalt estava abastecido com gasolina, e pude observar uma média de 10,2 km/l na cidade, sempre com ar-condicionado ligado.

Na estrada o carro flui bem, especialmente em velocidades de cruzeiro, aonde o câmbio em sexta marcha mantém o motor com giro baixo. É um carro confortável, sem nenhuma pretensão esportiva, por isso as reações da direção são anestesiadas, mas em caso de necessidade, o Cobalt contorna curvas de forma competente, com reações bem previsíveis no limite (leia-se subesterçante). Os freios são excelentes, com boa resposta do pedal. Apenas em situações aonde exige-se mais potência e giro alto, como ultrapassagens acima de 90-100 km/h, o motor 1.8 mostra falta de fôlego, embora a oferta de torque seja generosa nos giros mais baixos. No geral o carro anda bem. Seu rendimento na estrada é de 16,4 km/l, rodando a uma média de 100 km/h com ar ligado.

No geral, o Cobalt Elite está bem armado para encarar a concorrência mais moderna, e se vale de bons predicados como conforto, espaço e rendimento honesto do motor, além da robustez comprovada na prática, a julgar pela quantidade de Cobalts rodando nas mãos de taxistas e motoristas de aplicativo. Seu preço de R$ 74.350 poderia ser menor, mas está abaixo das versões topo de linha da concorrência, o que faz do Cobalt uma opção interessante na categoria.