Fiat Cronos 1.3 Drive Firefly GSR Flex 2019

Por Mike Gissel – Fotos: Marcus Lauria

O mercado de sedãs sempre foi bem povoado no Brasil, tanto que há vários níveis de tamanho, motorização e preço para o consumidor desse tipo de veículo escolher. Com produção nacional, há desde modelos mais simples e baratos, com motor 1.0, como VW Voyage, Renault Logan ou Fiat Siena, a opções mais sofisticadas e caras, como Toyota Corolla Altis, Honda Civic Touring ou Audi A3. São inúmeras possibilidades de compra, que atendem a todos os gostos e bolsos.

Mas a faixa dos R$ 60.000 até R$ 80.000 é aonde as opções de compra são numerosas como ácaros em um tapete velho, e o Fiat Argo Drive GSR se encaixa justamente aí, no começo da gama, e traz bons predicados para atrair quem está em dúvida. Ele custa a partir de R$ 62.490, e pode chegar a R$ 69.920 (carro testado), adicionando-se a bela pintura perolizada, rodas em liga, câmera de ré e alarme antifurto. No geral o carro já vem bem equipado de fábrica, com ar-condicionado, direção elétrica, central multimídia, controles de tração e estabilidade e trio elétrico.

Externamente, o visual do Cronos agrada. É agressivo na medida certa e bem chamativo, especialmente no visual da traseira, que conta com belas lanternas em led. Apenas o porte do carro destoa das rodas aro 15 calçadas por pneus 185/60. A massa muscular do Cronos combina mais com as rodas aro 17 da versão topo de linha. Em compensação, o Cronos Drive tem excelente compromisso entre conforto e estabilidade.

Dentro do carro há o visual que estreou no Argo, e isso é um ponto positivo, pois embora abuse de materiais rígidos ao toque, o painel possui diferentes texturas e bons arremates. Os instrumentos são de fácil leitura, a central multimídia é intuitiva e bem posicionada e o computador de bordo é muito completo e customizável. A posição de dirigir é prejudicada pela falta de ajuste de profundidade do volante, e falta espaço para os joelhos de motoristas mais altos, tanto por culpa do puxador de porta proeminente quanto pela quina do painel na região dos ajustes do ar-condicionado.

O espaço no banco traseiro é bom, ali viajam três pessoas sem dificuldade, embora o encosto do banco traseiro seja um pouco curto e o leg room seja menor do que o disponível em carros como Chevrolet Cobalt, Honda City ou Renault Logan, e é bem equivalente ao Fiat Grand Siena. Há também bom espaço para a cabeça, mais do que em carros com amplo leg room, como VW Virtus ou Nissan Versa por exemplo. No porta-malas cabem excelentes 525 litros.

Debaixo do capô está o excelente motor Firefly 1.3 de 4 cilindros e 8V, com variação de fase na admissão e no escape, que entrega bons 101/109 cv @ 6.250 rpm (G/E) de potência e 13,7/14,2 kgfm @ 3.500 rpm de torque (G/E). O motor é tão elástico e eficiente que não parece ser tão pequeno, seu funcionamento é liso e sua entrega de força é linear, sem perder ímpeto em altos giros como é comum a motores com duas válvulas por cilindro. E a eficiência energética é exemplar, como comprovam os 13,2 km/l feitos com gasolina na cidade e 17,1 km/l na estrada.

Em contraste com o bom motor está a transmissão GSR, que está longe de ser ruim como os primeiros Dualogic, mas ainda está um bom passo atrás de transmissões automáticas ou DCT. É necessário algum aprendizado para entender como o câmbio funciona, e ao longo da convivência eu percebi que ele funciona bem melhor no modo Sport, exceto em engarrafamentos. As borboletas são úteis, mas como são presas ao volante e o câmbio não conta com alavanca, em curvas o motorista acaba se perdendo para trocar uma marcha acima ou abaixo. Com o tempo aprende-se a antecipar trocas com as borboletas mesmo em modo automático, e as coisas melhoram bastante.

O uso do carro na cidade é bem tranquilo, descontando-se os trancos, o câmbio troca as marchas no momento certo e a elasticidade do motor permite ao Cronos GSR se impor bem no trânsito. O acelerador de curso longo requer aprendizado, mas isso não traz maiores problemas. Ponto positivo para a direção extremamente leve, e também merecem menções honrosas a suspensão macia, os freios bem responsivos e o bom isolamento acústico. O start-stop merece um ajuste mais fino, pois o carro trepida um pouco nas partidas e acaba incomodando em engarrafamentos.

Na estrada o Cronos GSR também flui de forma agradável, com escalonamento curto da transmissão que deixa o motor sempre acordado. O câmbio faz reduções bem rápidas em kick downs, e isso me agradou bastante. Na prática o Cronos acelera bem, retoma bem e anda de forma interessante para um sedã com motor 1.3. Seu equilíbrio dinâmico é bom, com alguma rolagem de carroceria mas sem prejuízo à estabilidade. Outro ponto positivo é a presença dos controles de tração e estabilidade, que garantem segurança em qualquer situação.

Em geral, o Fiat Cronos Drive GSR é um carro bem servido de motor, espaço, conforto e conjunto dinâmico. Bem que merecia receber uma transmissão automática de verdade, ainda mais diante de concorrentes dotados de câmbios melhores, como os CVT da Nissan/Honda/Toyota ou o AT da VW/Chevrolet. Caso a Fiat resolva esse pequeno contratempo, o Cronos Drive tem tudo para alçar voos mais altos.