Mercedes-Benz Vito Tourer Luxo 2.0 Turbo 7+1 2016

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Por Marcelo Silva – Fotos: Marcus Lauria

Uma interessante aposta foi feita pela Mercedes em nosso mercado, e estamos falando da Vito, uma van executiva que pode ser dirigida por condutores com habilitação de categoria B, visto que seu Peso Bruto Total (PBT) é inferior a 3.500 kg. Disponível em configurações de carga ou passageiros, a Vito que avaliamos é a variante mais luxuosa, batizada como Tourer Luxo 7+1, representando sua capacidade para 8 pessoas, ou 7 passageiros mais motorista.

Seu visual difere bastante das minivans de 7 lugares que temos no mercado, pois está mais para uma Sprinter do que para uma Spin por exemplo. Com 5,14 m de comprimento, 1,92 m de largura, 1,91 m de altura e 3,20 m de entre-eixos, a Vito impressiona pelo espaço interno, e todos os ocupantes viajam em bancos individuais e com sobra de espaço. Mesmo com todos os bancos montados, há espaço para 690 litros de bagagem no porta-malas. Com uma ou duas fileiras de banco rebatidas, forma-se um latifúndio dentro da van.

O assento do motorista é elevado, mas possui amplas regulagens no banco e na coluna de direção, e isso faz bastante diferença para um veículo que será dirigido por horas. Há boa visibilidade à frente e nos retrovisores laterais, mas manobrar a Vito pode ser um pouco trabalhoso. Nem tanto pelo diâmetro de giro de 11,8 m, que é razoável, mas sim pela ausência de sensores de estacionamento ou câmeras. Na visibilidade traseira, o retrovisor interno pouco poderá fazer se o carro estiver com lotação máxima.

A qualidade dos materiais empregados no painel e nas portas é simples, mas é uma simplicidade padrão Mercedes, ou seja, bom aspecto visual e ótima qualidade de montagem. O carro exala simplicidade no rádio ou nos comandos do ar-condicionado de regulagem manual, mas traz bancos em couro de ótima qualidade, iluminação de leitura em todas as fileiras de bancos e encaixes para cadeirinhas Isofix em todos os assentos.

Uma particularidade antes de colocar o carro em movimento é o acionamento do freio de estacionamento, que, para ser liberado, requer que o motorista puxe um botão e então pise no pedal para liberar o freio. Ao iniciar a marcha, dois detalhes impressionam: a suavidade da embreagem e o silêncio do motor. Debaixo do capô há um 2.0 16V turbo flex, que entrega 184 cv @ 5.500 rpm de potência e 30,6 kgfm @ 1.250 rpm de torque, com qualquer combinação de combustível no tanque. A força é orquestrada e distribuída nas rodas traseiras por meio de uma imprecisa caixa manual de seis velocidades. Inúmeras vezes me vi engatando a quinta quando queria a terceira e vice-versa.

A suspensão da Vito filtra bem as irregularidades do solo crocante e fornece bom nível de conforto, mesmo tendo sido calibrada para suportar uma carga máxima de 1.225 kg. O conjunto traz McPherson na dianteira e braços arrastados na traseira. Apesar do bom revestimento acústico, quando o carro está rodando vazio, ouvem-se alguns ruídos de rangido das fileiras de bancos, algo bem comum em vans. Seu motor com bom torque em baixa é bem ágil para a cidade, ao mesmo tempo em que as marchas são bem escalonadas. O assistente de partida em rampas é um ótimo recurso para cidades com muitas subidas. No fim do teste, o consumo observado com Etanol foi de 5,7 km/l.

Em uso rodoviário, a Vito reforça sua qualidade estradeira, com rodar suave e confortável, além de dispor de um motor forte e disposto a qualquer momento, comprovado pelos 10,2 s de aceleração 0-100 que aferimos no teste. Sua direção elétrica tem peso correto e o ajuste de suspensão fornece segurança nas curvas, mesmo se tratando de um carro alto. Os freios são igualmente bons. No campo da segurança ativa, o carro vem bem recheado, com ESP, assistente de vento lateral e até mesmo um monitoramento de cansaço do motorista. Ainda assim sua dinâmica é segura, e o carro balança pouco em curvas feitas no limite, com ligeira tendência traseira no limite, mas rapidamente contida pelo ESP. Ao fim do teste, observamos um consumo rodoviário de 9,4 km/l com Etanol.

No final das contas, a Vito se mostra bem competente e cumpridora de suas funções. Sua vida é relativamente fácil, pois sua única concorrente é a JAC T8, um pouco menor no porte e bem menor no preço (R$ 95.900 da chinesa contra R$ 139.900 da Vito testada), mas leva um passageiro a menos e tem menos espaço interno, além de contar com motor que bebe apenas gasolina. De fato, a Vito vale muito à pena, e faz valer seu DNA Mercedes, embora fique devendo itens básicos como um cruise control ou mesmo auxílios ao estacionamento.