Peugeot 208 Allure 1.2 12V Flex 2017

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Por Marcelo Silva – Fotos: Marcus Lauria

DE BEM COM A VIDA

Desde que foi lançado em nosso mercado, lá em meados de 2013, o Peugeot 208 não vende como deveria. Injustiça, pois é um carro cujo visual tem coerência com o modelo europeu, goza de boa dinâmica e um bom nível de equipamentos. Na linha 2017, visando dar um pouco mais de visibilidade ao compacto, a Peugeot trouxe o moderno motor 1.2 de 3 cilindros aspirado Puretech para as versões de entrada, e reformulou a gama de versões.

Visualmente quase não há novidades na versão Allure que testamos. Os faróis ganharam assinatura em LED, há discretas mudanças no para-choque dianteiro e a lanterna traseira ganhou visual interessante em LEDs. Há novas rodas também, e só. Justo, pois o visual do carro continua sendo bem atraente. Do lado de dentro, a principal mudança está na central multimídia, que agora tem integração com Apple CarPlay e Mirror Link.

A versão Allure vem bem recheada, com airbags frontais e laterais, ar-condicionado digital de duas zonas, teto panorâmico, cruise control e central multimídia com comandos no volante. Sua posição de dirigir é aquela típica do 208, aonde você precisa de um tempo a mais para se entender com as regulagens da coluna de direção e do banco para que o volante não cubra a visualização do i-cockpit. Felizmente, as regulagens são amplas e, uma vez ajustado ao carro, o motorista conta com boa visibilidade e boa posição para dirigir.

SUAVE E ECONÔMICO

O espaço interno é contido, especialmente atrás, como em qualquer compacto. Pessoas de até 1,75 m se abrigam bem no banco traseiro, mas passageiros mais altos irão sentir falta de espaço para a cabeça. Já nos bancos dianteiros não há limitação de espaço. Seu porta-malas leva razoáveis 285 litros, embora faça falta um banco traseiro bipartido nessa versão. Já no quesito acabamento, os materiais utilizados são simples, com encaixes corretos.

Sob o capô está a grande novidade, o propulsor 1.2 12V aspirado de 3 cilindros, DOHC, com comando de válvulas variável na admissão e no escape. Sua potência gerada é de 84/90 cv @ 5.750 rpm (G/E) e o torque é de 12,2/13 kgfm @ 2.750 rpm. Esse motor veio para substituir o antigo 1.5 8V de 4 cilindros, proporcionando desempenho similar com ganho em economia de combustível, visando inclusive o título de carro mais econômico do Brasil, de acordo com as medições do Inmetro.

Testamos o carro com Gasolina e, na prática, o desempenho é realmente satisfatório, embora exista uma pequena morosidade do motor em baixos giros, mas assim que o conta-giros passa de 2.500 rpm o propulsor ganha força de forma linear, agradando na sua utilização, especialmente por causa do ronco típico dos motores de 3 cilindros. Sua aceleração de 0-100 km/h ficou em 13,1 s pela nossa medição, um pouco acima dos 12,8 s divulgados pela Peugeot, mas ainda dentro da margem esperada.

DINÂMICA E PRAZER AO DIRIGIR

No uso urbano, o Peugeot agrada pela suavidade da suspensão ao lidar com buracos e ondulações. Somando-se esse fato ao bom isolamento acústico e à maciez da embreagem, temos um carro bem dócil no trato urbano. Seu único demérito está no câmbio de engates imprecisos, que poderia ser bom como no 308 1.6 por exemplo. Quanto ao desempenho, se o motorista precisar de agilidade, basta pressionar o acelerador um pouco mais e o 208 se mostra bem responsivo. Sua direção elétrica é bem macia e as dimensões compactas do carro o tornam bem fácil de estacionar, especialmente com a ajuda do sensor de estacionamento na traseira com indicador gráfico. O diâmetro de giro é de razoáveis 11,2 m.

Já em uso rodoviário, fica evidente a boa dinâmica do carro, que vence as curvas sem dificuldade, com pouca rolagem de carroceria e tendência dianteira bem discreta. Seus freios a disco na dianteira são sólidos, uma falha, pois há algum risco de fading em uso extremo, embora não tenha sido observado em nosso teste. Na traseira, os freios são a tambor. Outra falha é a ausência de ESP, não apenas na versão Allure, mas em todas as versões do 208 exceto a esportiva GT. Se há ESP no GT, o que impede a Peugeot de oferecer este importante item de segurança no restante da linha?

No geral, o 208 Allure com motor 1.2 agrada bastante no uso. Há bons predicados que justificam pelo menos um test drive na concessionária mais próxima para aqueles que buscam um compacto mais equipado. O preço dessa versão é de R$ 57.590 e seus únicos opcionais são as diferentes cores disponíveis para o carro. Quanto ao seu bolso, observamos um consumo de 11,2 km/l no ciclo urbano (com ar ligado e trânsito intenso) e 15,8 km/l no ciclo rodoviário (com ar ligado e média de 110 km/h), com Gasolina no tanque. De fato é bem econômico, não tanto quanto esperávamos, mas não deixa de ser muito bom.