{"id":35148,"date":"2014-03-18T12:58:14","date_gmt":"2014-03-18T12:58:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.carpointnews.com.br\/?p=35148"},"modified":"2014-03-18T12:58:14","modified_gmt":"2014-03-18T12:58:14","slug":"apoiar-ou-nao-a-producao-e-venda-de-carro-eletrico-eis-a-questao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/apoiar-ou-nao-a-producao-e-venda-de-carro-eletrico-eis-a-questao\/","title":{"rendered":"Apoiar ou n\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o e venda de carro el\u00e9trico, eis a quest\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_35149\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.carpointnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/carro-el\u00e9trico.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-35149\" class=\"size-full wp-image-35149\" title=\"carro el\u00e9trico\" src=\"http:\/\/www.carpointnews.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/carro-el\u00e9trico.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-35149\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Muita gente, especialmente os c\u00e9ticos, questiona se o ve\u00edculo el\u00e9trico (VE) \u00e9 ou n\u00e3o a melhor solu\u00e7\u00e3o para os grandes centros urbanos. Vejo tal discuss\u00e3o como v\u00e1lida, e at\u00e9 necess\u00e1ria para identificar a melhor decis\u00e3o, pois a democracia ainda \u00e9 a melhor forma para encontrar os caminhos certos, em um sistema democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>No entanto, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 discutir se o ve\u00edculo el\u00e9trico \u00e9 ou n\u00e3o vi\u00e1vel, pois estudos apontam que h\u00e1 mais benef\u00edcios do que malef\u00edcios para a sociedade que aderi-lo. Logo, o cerne da quest\u00e3o \u00e9 saber at\u00e9 que ponto o VE \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o. Naturalmente, tanto o VE quando o de combust\u00e3o interna (VCI), n\u00e3o deve ser considerado solu\u00e7\u00e3o ideal para todas as regi\u00f5es do nosso planeta.<\/p>\n<p>No caso do VE, o local que contar com fonte de gera\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica mais \u201climpa\u201d, colher\u00e1 os melhores benef\u00edcios. Mas, n\u00e3o basta olhar para a matriz energ\u00e9tica nacional, pois a realidade de cada local pode ser diferente. Da\u00ed, por exemplo, o VE pode ser muito recomend\u00e1vel em determinada regi\u00e3o, e menos em outra onde a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade n\u00e3o for favor\u00e1vel. No entanto, independente do caso, \u00e9 preciso considerar que a utiliza\u00e7\u00e3o do VE, quase n\u00e3o polui a atmosfera, e registra em torno de 92% de efici\u00eancia, contra, aproximadamente, de 18% do ve\u00edculo com motor de combust\u00e3o interna.<\/p>\n<p>No caso do VCI, os pa\u00edses importadores de combust\u00edvel f\u00f3ssil (a maioria) compromete montante significativo de recursos financeiros para abastecer frotas ineficientes e, como se n\u00e3o bastasse, poluir de forma perversa o ambiente.<\/p>\n<p>O Brasil, por exemplo, segundo dados da Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP), gastou R$10 bilh\u00f5es com importa\u00e7\u00e3o de gasolina no tri\u00eanio 2010\/2012. Ali\u00e1s, em 2012, o pa\u00eds registrou recorde hist\u00f3rico ao importar 3,8 bilh\u00f5es de litros de gasolina. O pa\u00eds em 2013, consumiu a m\u00e9dia di\u00e1ria de 2,93 milh\u00f5es de barris (crescimento de 42% em rela\u00e7\u00e3o a 2003), tendo produzido diariamente 1,5 milh\u00e3o de barris. As 14 refinarias juntas processaram 1,9 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios (crescimento de 4,4 por cento em rela\u00e7\u00e3o a 2003). Em s\u00edntese, o pa\u00eds refina em torno de dois ter\u00e7os das suas necessidades, cresce o consumo de forma galopante, e mant\u00e9m o refino praticamente estagnado (O Globo, Economia, 16\/03\/2014).<\/p>\n<p>Tais recursos poderiam ser investidos em outras \u00e1reas, como a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, pesquisa, transporte p\u00fablico, seguran\u00e7a, redu\u00e7\u00e3o da pobreza etc. Como, aparentemente, os investimentos p\u00fablicos n\u00e3o seguiram esta l\u00f3gica, quem quiser saber o resultado, basta visitar S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro ou a maioria das grandes cidades brasileiras, para constatar que o pa\u00eds est\u00e1 perdendo produtividade, com as pessoas \u201cpresas\u201d no tr\u00e2nsito ca\u00f3tico, e os hospitais cada dia mais lotados &#8211; parte em fun\u00e7\u00e3o do agravamento dos problemas de sa\u00fade provocados pelo aumento da polui\u00e7\u00e3o do ar, e parte por falta de investimentos adequados.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 a China, que importou em 2013, 280 milh\u00f5es de toneladas petr\u00f3leo, representando 7 por cento de crescimento sobre o ano anterior (Reuters 9\/01\/2014). Com o aumento da queima de combust\u00edvel f\u00f3ssil, o pa\u00eds registra \u00edndices de polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica elevad\u00edssimos, causado grandes transtornos econ\u00f4micos e a sa\u00fade dos habitantes das grandes cidades.<\/p>\n<p>Diferentemente do Brasil, a China prefere importar \u00f3leo cru e refinar os derivados em seu territ\u00f3rio. As refinarias do pa\u00eds est\u00e3o aumentando a produ\u00e7\u00e3o para atender a demanda adicional. O refino de gasolina pode crescer 7 por cento em 2014 (no Brasil cresceu 4,4 por cento em dez anos). A PetroChina e China Petroleum &amp; Chemical, conhecida como Sinopec, planejam adicionar 22,1 milh\u00f5es de toneladas de capacidade de refino este ano (Bloomberg, 29\/01\/2014).<\/p>\n<p>A China percebeu este erro e ajustou a rota, passando apoiar a produ\u00e7\u00e3o e venda de ve\u00edculos el\u00e9tricos e h\u00edbridos, ainda que a sua matriz energ\u00e9tica esteja entre as mais \u201csujas\u201d (a base de carv\u00e3o). No entanto, eles entendem que a redu\u00e7\u00e3o de polui\u00e7\u00e3o do ar e a efici\u00eancia do VE, justificam os investimentos.<\/p>\n<p>Uma compara\u00e7\u00e3o superficial entre S\u00e3o Paulo que \u00e9 o estado mais rico do Brasil, com o mais prospero dos Estados Unidos, que \u00e9 a Calif\u00f3rnia, revelar\u00e1 que as duas regi\u00f5es t\u00eam matriz energ\u00e9tica predominantemente \u201climpa\u201d, portanto favor\u00e1vel ao VE. Em torno de 60 por cento\u00a0 do consumo energ\u00e9tico de S\u00e3o Paulo \u00e9 renov\u00e1vel (Balan\u00e7o Energ\u00e9tico Do Estado De S\u00e3o Paulo, Gesp, 2013). J\u00e1 a Calif\u00f3rnia, segundo a Environmental protection Agency (EPA, 2010), mais da metade da sua eletricidade \u00e9 oriunda de g\u00e1s natural, e a maior parte do restante \u00e9 derivada de recursos de baixo carbono, tais como h\u00eddrica e nuclear.<\/p>\n<p>Apesar dos dois exemplos serem favor\u00e1veis ao VE, apenas a Calif\u00f3rnia, incentiva a sua produ\u00e7\u00e3o e vendas. O resultado \u00e9 que somente em 2013, foram licenciados no estado 592,232 ve\u00edculos h\u00edbridos e el\u00e9tricos (EDTA, 16\/03\/2014). Para saber o quanto esse volume \u00e9 representativo, basta verificar que, no mesmo ano, S\u00e3o Paulo licenciou 784.181 carros novos equipados com motor de combust\u00e3o interna (ANFAVEA), ou seja, \u00e9 como se 75% dos carros vendidos em S\u00e3o Paulo, fosse el\u00e9trico e h\u00edbrido.<\/p>\n<p>Da\u00ed cabe algumas indaga\u00e7\u00f5es: 1) se o pa\u00eds n\u00e3o tem capacidade de refinar toda a gasolina que consome, 2) se tem matriz energ\u00e9tica favor\u00e1vel ao VE, 3) se o VE \u00e9 mais eficiente; 4) se a na\u00e7\u00e3o economizar\u00e1 uma fortuna reduzindo importa\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel f\u00f3ssil; 5) se a ado\u00e7\u00e3o de VE n\u00e3o causa grandes impactos no fornecimento de energia; 6) se o VE ir\u00e1 gerar mais empregos e divisas; 7) se a ado\u00e7\u00e3o de VE far\u00e1 o pa\u00eds mais competitivo, tecnologicamente; 8) se a ind\u00fastria det\u00e9m a tecnologia necess\u00e1ria e deseja investir, produzir e comercializar; 9) se outras na\u00e7\u00f5es est\u00e3o adotando o VE com sucesso; 10) se a utiliza\u00e7\u00e3o do VE \u00e9 sustent\u00e1vel&#8230; o que ent\u00e3o impede a fabrica\u00e7\u00e3o e vendas do VE no Brasil?<\/p>\n<p>Pense nisso e \u00f3tima semana,<\/p>\n<p>Evaldo Costa<br \/>\nEscritor e conferencista<br \/>\nDoutorando em Pol\u00edtica de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel na Europa<br \/>\nBlog: verdesobrerodas.com.br<br \/>\nSiga no Twitter\/LinkedIn\/Facebook\/Orkut: evaldocosta@icbr.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muita gente, especialmente os c\u00e9ticos, questiona se o ve\u00edculo el\u00e9trico (VE) \u00e9 ou n\u00e3o a melhor solu\u00e7\u00e3o para os grandes centros urbanos. 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