{"id":62426,"date":"2017-12-28T17:42:00","date_gmt":"2017-12-28T17:42:00","guid":{"rendered":"http:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/?p=62426"},"modified":"2017-12-28T17:45:32","modified_gmt":"2017-12-28T17:45:32","slug":"coluna-5217-de-carro-por-ai-por-roberto-nasser","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/coluna-5217-de-carro-por-ai-por-roberto-nasser\/","title":{"rendered":"Coluna 5217 \u2013 \u201cDe carro por a\u00ed\u201d por Roberto Nasser"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Foto-Legenda-01-Coluna-5217-Alpine.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-62427\" src=\"http:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Foto-Legenda-01-Coluna-5217-Alpine-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"635\" height=\"476\" srcset=\"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Foto-Legenda-01-Coluna-5217-Alpine-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Foto-Legenda-01-Coluna-5217-Alpine-768x575.jpg 768w, https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Foto-Legenda-01-Coluna-5217-Alpine-1024x767.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 635px) 100vw, 635px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>De Alpines novos e antigos<\/strong><\/p>\n<p>Em 2018 Renault comemorar\u00e1 120 anos de surgimento e 20 da opera\u00e7\u00e3o Brasil. Eventos imagin\u00e1veis pelas pretens\u00f5es da empresa: ser, com Nissan e Mitsubishi, terceiro grupo de autom\u00f3veis no mundo. Aqui, bem marcar o crescimento constante, sucessivo e consistente, mostrar estar presente desde 1959 via sociedade com a Willys-Overland para fazer seus produtos \u2013 Dauphine, Gordini, 1093, Interlagos -, e a heran\u00e7a do R 12 aqui chamado Corcel.<\/p>\n<p><strong>Alpine<\/strong><\/p>\n<p>Um dos eventos nacionais ser\u00e1 apresentar o Alpine A110, redivivo esportivo inspirado no m\u00edtico vencedor de\u00a0<em>rallyes<\/em>, produzido no Brasil, M\u00e9xico, Espanha e Bulgaria.\u00a0\u00a0Aqui, gra\u00e7as ao talento dos pilotos e da Equipe Willys, mudou a voca\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>rallye<\/em>, tornando-se vencedor em circuitos de velocidade.<\/p>\n<p>Novo A110 utilizou a base conceitual criada pelo tamb\u00e9m m\u00edtico Jean R\u00e9d\u00e9l\u00e9: aerodin\u00e2mica e pouco peso. Relativamente ao original, inverteu a posi\u00e7\u00e3o do motor, girando-o da popa \u00e0 entre eixos traseira \u2013<em>ironia, copiou a solu\u00e7\u00e3o ent\u00e3o dita alucinada, de 1965 pelo piloto carioca Ricardo Achcar, e viabilizada pelos lusos irm\u00e3os Ferreirinha, de trocar o motorzinho L4, 850 cm3, traseiro, por um V8 2.500 cm3 entre eixos. (Perceba a emo\u00e7\u00e3o do autor no texto abaixo<\/em>.)<\/p>\n<p><strong>Base<\/strong><\/p>\n<p>Projeto Alpine supera o patamar de ser apenas mais um produto. \u00c9 projeto de esportividade, come\u00e7ando com equipe e motores na F\u00f3rmula 1, patroc\u00ednio de categorias no automobilismo, como a Copa Alpine, abertura de novo segmento de mercado. H\u00e1 anos a Renault assumiu a Alpine e agora refez a f\u00e1brica de Dieppe, Fran\u00e7a, onde a marca nasceu e cresceu.<\/p>\n<p>N\u00e3o se baseia na proposta nacional do\u00a0<em>designer\u00a0<\/em>Jo\u00e3o Paulo Melo, levada \u00e0 Renault Brasil, de baixo custo para industrializa\u00e7\u00e3o. O novo Alpine A110 n\u00e3o utiliza carroceria em comp\u00f3sito de fibra de vidro, mas de alum\u00ednio, em processo \u00fanico no mundo; motor da alian\u00e7a Renault-Nissan \u2013 fase pr\u00e9-Mitsubishi -, L4, 1.800 cm3, 16 v\u00e1lvulas, turbo, 270 cv de pot\u00eancia, 320 Nm de torque. Transmiss\u00e3o distante da original: autom\u00e1tica, dupla embreagem, sete velocidades, tra\u00e7\u00e3o traseira.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p><strong>O que faz<\/strong><\/p>\n<p>Combina\u00e7\u00e3o de pot\u00eancia com baixo peso, menos de 1.100 kg, oferece larga dose de alegria. Muito esperto, 4,5s de 0 a 100 km\/h e velocidade final de 250 km\/h.<\/p>\n<p>Vinda ser\u00e1 para tatear o mercado p\u00f3s queda do artificialismo dos 30 pontos adicionais no IPI; quantificar interesse dos revendedores \u2013\u00a0os<em>\u00a0definidores do sucesso ou fracasso do produto \u2013<\/em>; pesquisar mercado para quantificar vendas, determinar investimento em homologa\u00e7\u00f5es, treinamento de vendas e assist\u00eancia.<\/p>\n<p>Dever\u00e1 ser atra\u00e7\u00e3o no <em>Brazil\u00a0\u00a0Classics Show<\/em>, mais elegante dos encontros de autom\u00f3veis antigos no pa\u00eds, realizado em Arax\u00e1. Neste ano, de\u00a031.maio\u00a0a\u00a003.jun. A Renault ser\u00e1 o principal patrocinador. Pre\u00e7o? Na Europa vers\u00e3o de entrada vendeu s\u00e9rie inicial de 1955 unidades a 58.500 Euros. Lan\u00e7amento das\u00a0<em>berlinette<\/em>\u00a0em vers\u00f5es Pure e Legend ser\u00e1 no Sal\u00e3o de Genebra, mar\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p><strong><em>O in\u00edcio: Achcar-Simca-Santa F\u00faria<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p><em>O carioca Ricardo Achcar, gerador de ideias e moda, filho de fam\u00edlia de muitas posses, de tudo fez \u2013 e bem. Piloto, construtor de autom\u00f3veis, pioneiro em caminhos europeus, pilotou com Luizinho Pereira Bueno na SMART, equipe inglesa de F\u00f3rmula Ford, comandada pelo multi m\u00eddia e hoje Sir Stirling Moss.<\/em><\/p>\n<p><em>E promoveu casamento teoricamente imposs\u00edvel: Berlinette Willys Interlagos com motor Simca &#8211; entre eixos! Trabalho de engenharia de coragem, pois o projeto original do Alpine A 108, fabricado no Brasil como Interlagos, era baseado numa treli\u00e7a central envolta em fibra de vidro, carro para exclusivo motor traseiro. Mas Achcar aplicou-o entre-eixos com apoio dos irm\u00e3os Ferreirinha, Herculano e Ant\u00f4nio, depois fabricantes dos F\u00f3rmula Heve.<\/em><\/p>\n<p><em>Dele s\u00e3o os coment\u00e1rios e o texto escrito para os originais do in\u00e9dito livro por mim cometido sobre a hist\u00f3ria do Simca.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 muito bom, d\u00e1 \u00f3timo cen\u00e1rio de \u00e9poca, pela avulsiva reda\u00e7\u00e3o de\u00a0<\/em>Brimo\u00a0<em>Achcar. N\u00e3o acatei sua amea\u00e7a, pois editei o amplo texto para caber na Coluna.<\/em><\/p>\n<p><em>Assumo meus direitos de\u00a0<\/em>Publisher<em>, aproveito o rec\u00e9m passado Natal para oferece-lo como lembran\u00e7a aos leitores apreciadores de hist\u00f3ria dos autom\u00f3veis nacionais. (R Nasser)<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cSe voc\u00ea alterar uma v\u00edrgula eu nunca mais pe\u00e7o para Maom\u00e9 te dar um camelo. Fique rico e n\u00e3o me dirija mais a palavra.\u201c<\/em><\/p>\n<p><em>\u201c BRIMO! Escreve o que e como quiser. Suas palavras tem o cheiro do tempo e do vento &#8211; CHIM-EL HAUA, o cheiro do vento&#8230;\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong><em>A CAPOTAGEM DO MILTON AMARAL E O SANTA FURIA<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Ricardo Achcar<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>&#8221; &#8211; Tudo come\u00e7ou nas 250 Milhas de S\u00e3o Paulo, 1965. Milton Amaral e eu est\u00e1vamos com gosto de sangue na boca. T\u00ednhamos feito os\u00a0<\/em>1.000 Quil\u00f4metros<em>\u00a0em Interlagos com Berlineta Interlagos 850cc de motor muito bem preparado pelo Ant\u00f4nio Ferreirinha, e suspens\u00e3o apreciada pelo \u00edcone Ciro Caires, piloto cuja caracter\u00edstica era compartilhar tudo que podia em prol do esporte motor.<\/em><\/p>\n<p><em>Era madrugada e t\u00ednhamos rodado como um rel\u00f3gio. O \u00fanico incidente comum na neblina de Interlagos foi com o Milton, perdendo a segunda tomada da Curva do Sol e, para n\u00e3o sair barranco afora pela externa, for\u00e7ou uma rodada e ficou no meio da pista virado ao contr\u00e1rio, motor morto, carburador Solex de corpo duplo afogado, e dificuldade de dar partida.<\/em><\/p>\n<p><em>Os segundos passaram, e o Milton tentava desafogar, mas era tarefa para a bateria perder o f\u00f4lego. E adivinhou na densa neblina, estar parado num ponto de desgarro de tangencia, e que logo, logo, algu\u00e9m ia chegar por ali. Entre pensar e enxergar, quatro luzes cresceram meteoricamente diante do p\u00e1ra brisas e passaram fulminantes de cada lado da Berlineta&#8230; Toco e Jaime Silva com as Simca Abarth. O motor pegou, Milton parou no box, e eu assumi o volante.<\/em><\/p>\n<p><em>Ap\u00f3s 3 horas trocamos posi\u00e7\u00e3o. \u00c0s 9h a neblina levantava numa manh\u00e3 exclusiva de Interlagos e Le Mans. Aquela camada levantando na reta dos box e no Ret\u00e3o, e o baixo circuito jogando para fora da neblina, aos ouvidos dos assistentes, o rasgo dos motores com a inc\u00f3gnita de quem ia chegar na subida da Curva da Jun\u00e7\u00e3o. Est\u00e1vamos em 9\u00ba lugar e gente boa vinha capengando e quebrando. A 40\u2019 da chegada, em 2\u00ba lugar, na Curva do Pinheirinho, terceira marcha engatada, a alavanca de c\u00e2mbio da Berlineta ficou na m\u00e3o do Milton. Chegamos com frustra\u00e7\u00e3o eterna. Afinal, o motor era de apenas 850cc.<\/em><\/p>\n<p><em>Por isso, nestes\u00a0<\/em>250 Quil\u00f4metros<em>, na quarta volta, o Milton, muito r\u00e1pido, atacou a Curva da Ferradura por fora, passou dois concorrentes e, sob nossos olhos soltou a Berlineta numa derrapagem controlada para ficar por dentro na Subida do Lago. Manobra para pilotos excepcionais. Mas, infelizmente, pegou um cascalho de beira de pista, e\u00a0\u00a0<\/em>foi para o brejo<em>\u00a0capotando violentamente. Por sorte saiu ileso&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Resultante, t\u00ednhamos a disposi\u00e7\u00e3o de mudar:<\/em>\u00a0em vez da Berlineta uma Trolineta!<\/p>\n<p><strong><em>Come\u00e7a<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Herculano Ferreirinha recebeu a Trolineta ex-Berlineta em sua oficina em Vila Isabel, Rio de Janeiro.\u00a0<\/em>&#8220;Eu sou lanterneiro. Fibra de vidro n\u00e3o \u00e9 a minha praia.&#8221;<\/p>\n<p><em>Mas adquiriu bons conhecimentos, aplicados ao construir carros de corrida.<\/em><\/p>\n<p><em>O chassis de espinha central do Jean R\u00e9d\u00e9l\u00e9 formava estrutura misturando tubos de a\u00e7o com fibra de vidro, prim\u00f3rdio dos monocoques como conhecemos hoje. Ora, na violenta capotagem, o solavanco aplicado pelo motor na treli\u00e7a integrada, provocou tor\u00e7\u00f5es e deforma\u00e7\u00f5es e, para corrigir, exigiria corte e remendo, com uso de solda aut\u00f3gena e certeza de inc\u00eandio geral. Risco e oportunidade provocaram-me considerar nova forma ao autom\u00f3vel, ante perfis assemelhados entre a Lola GT de Le Mans e o poss\u00edvel da moribunda Berlineta.<\/em><\/p>\n<p><em>A\u00ed surgiu o Manoel Truviso, habilidoso, equilibrado e criterioso. Pau para toda obra, perfil rasante, n\u00e3o se fazia notar. Um bom peda\u00e7o do Simca-Achcar Santa F\u00faria teve as m\u00e3os e a intelig\u00eancia do Manoel, somadas ao trabalho e ao comando de equipe do Herculano.<\/em><\/p>\n<p><em>Assim tornei-me<\/em>\u00a0&#8220;designer&#8221;\u00a0<em>da Trolineta, e minha imagina\u00e7\u00e3o espacial alarmou os portugueses e meu co-piloto Amaral, pois indicava, n\u00e3o seria coisa confi\u00e1vel.<\/em><\/p>\n<p><em>Muito do projeto e execu\u00e7\u00e3o vinha das palavras do Ciro Caires, disparando processo de elocubra\u00e7\u00e3o, misto de inven\u00e7\u00e3o e vontade de ganhar corrida, sem limite razo\u00e1vel dentro de mim. Mas eu acho, deve ser assim.<\/em><\/p>\n<p><em>Ao Ant\u00f4nio n\u00e3o importava se o carro ia fazer curva ou segurar nos freios, mas como pendurar um motor num chassis de espinha central. Em sua inconformada cabe\u00e7a o motor ficaria do meu lado direito &#8211;<\/em>\u00a0e de fato n\u00e3o ficou muito longe<em>. Ao final, resultado pr\u00e1tico, me incendiou a nuca meia d\u00fazia de vezes antes de me vencer. Dava medo. A\u00a0<\/em>&#8220;porra&#8221;\u00a0<em>dava um tiro, e queimava a nuca aos berros, com assobio de caldeira e locomotiva na cabine da enfurecida Trolineta.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Hist\u00f3ria<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Mas antes espumar no\u00a0<\/em>cockpit\u00a0<em>rolou muita \u00e1gua. Ciro nos recebeu na f\u00e1brica da Simca, ouviu-me e ao Ant\u00f4nio, e disse \u2013\u00a0<\/em>&#8220;Segura a\u00ed que vou falar com o Chico&#8221; (<em>Chico\u00a0<\/em>era o Landi, \u00edcone das corridas, chefe do departamento de competi\u00e7\u00e3o Simca).\u00a0<em>Era da melhor qualidade como pessoa, mas tinha birra de &#8220;cariocas e suas baboseiras&#8221; &#8211; e ningu\u00e9m lhe tira a raz\u00e3o. Landi s\u00f3 atendeu por ter sido pedido do Ciro, com motor de 142 HP medidos em dinam\u00f4metro, o melhor que tinham. Ciro Caires \u00e9 um nome inesquec\u00edvel na minha agenda de recorda\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><strong>O Fazer<\/strong><\/p>\n<p><em>A propriamente dita amarra\u00e7\u00e3o da treli\u00e7a de suporte do motor na Trolineta Santa F\u00faria \u00e9 de complicada narrativa: dois canos de parede grossa saiam do tronco central no limite traseiro, erguiam-se at\u00e9 15 cm do coletor de admiss\u00e3o, carburadores e os cabe\u00e7otes planos, em alum\u00ednio. O bloco motor, em ferro, tinha um par de suportes estruturais, permitindo amarra\u00e7\u00e3o de responsabilidade.<\/em><\/p>\n<p><em>No encontro dos tubos ascendentes, o suporte da carroceria do chassi original, colocamos mais um tubo de suporte, fechando um tri\u00e2ngulo estrutural.<\/em><\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p><em>Problema sem solu\u00e7\u00e3o era a pouca espessura do eixo piloto da caixa de 5 velocidades cria\u00e7\u00e3o do preparador Colotti, suprimindo an\u00e9is sincronizadores, aplicando engrenagens com dentes retos. Fora projetada para Renaults 4 CV, Dauphines e Gordinis e motores 750 e 850 cm3 \u2013 n\u00e3o o V8 2500. Um duplo H, definia: primeira \u00e0 esquerda, abaixo; quinta igual, \u00e0 direita; r\u00e9 oposta, para cima. O trambulador foi cria\u00e7\u00e3o do Manoel exigindo nanoprecis\u00e3o \u2013 ou se quebraria.<\/em><\/p>\n<p><em>Outro era o sistema de arrefecimento. Radiador frontal, abaixo do motor, com caixa de compensa\u00e7\u00e3o e sangradores para eliminar bolhas de ar. Bem calculado, mas fomos vencidos por um detalhe de verifica\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/em>O diabo est\u00e1 nos detalhes<em>.<\/em><\/p>\n<p><em>Voltando ao conjunto geral do carro, n\u00e3o foi dif\u00edcil constatar, o aumento de peso ocasionado pelo motor baixo e entre eixos, respondeu ao resultado projetado.<\/em><\/p>\n<p><em>O motor girava 6200 rpm e podia chegar a 6400, sem ponto fraco de quebra. Era muito resistente com limite definido pelo sistema arcaico de varetas de v\u00e1lvulas. Mas \u00e0 \u00e9poca n\u00e3o havia carro para arrancar na frente do Santa F\u00faria.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Em rela\u00e7\u00e3o ao conjunto, estabilidade e ader\u00eancia limitadas pelos pneus radiais concebidos para derrapagem controlada.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Refer\u00eancia<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>O Simca-Achcar foi apelidado<\/em>\u00a0\u201cVem quente que eu estou fervendo&#8230;\u201c\u00a0<em>pelo jornalista Marcus Zamponi. Colou, e em nada enobrece a minha obra.<\/em><\/p>\n<p><em>Raz\u00e3o estava no fato de, ap\u00f3s algumas voltas, quando a temperatura da \u00e1gua chegava aos 103 ou 104 graus, a mangueira de sa\u00edda inchava, se soltava espirrando a \u00e1gua fervente no meu pesco\u00e7o.<\/em><\/p>\n<p><em>Resumo a hist\u00f3ria: o sistema de arrefecimento do motor contava com o de melhor na ind\u00fastria do pa\u00eds. Radiador celular Bongotti, aumentando o percurso da \u00e1gua, e o m\u00e1ximo de canais vazantes. Pedimos com capacidade para 11 l, mais a estocada nos canos de transporte, com di\u00e2metro de 1 \u00bd\u201d. A bomba era poderosa, resistente, desenvolvida pelo Chico Landi, e o motor sempre com total rendimento e potencia \u2013 e nunca fundiu.<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o aquecia por falta d&#8217;\u00e1gua, por\u00e9m por m\u00e1 troca de calor no sistema baseado em alta press\u00e3o. Tantos anos passados creio, o problema estava na press\u00e3o formada pelo sistema de devolu\u00e7\u00e3o dos estimados 11 l d\u2019\u00e1gua.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Explica\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Numa noite, quatro anos ap\u00f3s, entrei no box de corrida na minha casa, e pedi ao Ant\u00f4nio me ajudar a medir a capacidade do radiador do Simca-Achcar: os 11 litros encomendados foram, na verdade f\u00edsica, apenas 7&#8230;\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Silenciosos nos entre olhamos, fechamos a porta do box, e fomos para a Montenegro, hoje Vinicius de Moraes e l\u00e1, no Garota de Ipanema, pedimos uns baldes de cerveja. Ent\u00e3o, sem aviso algum o Portugu\u00eas come\u00e7ou a esbravejar e a soltar improp\u00e9rios que fariam Cabral ir de volta para Portugal. Bebia, espumava, me respingava. Eu fiquei calado e murcho.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Ps: H\u00e1 tempos busco localizar o Santa F\u00faria \u2013 ou seus restos, ou a hist\u00f3ria de seu fim. Se voc\u00ea souber, mande-me um e-mail. O <em>Museu Nacional do Autom\u00f3vel<\/em> agradecer\u00e1. (RN)<\/p>\n\n\t\t<style type=\"text\/css\">\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-62426 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/coluna-5217-de-carro-por-ai-por-roberto-nasser\/foto-legenda-03-coluna-5217-achcar\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Foto-Legenda-03-coluna-5217-ACHCAR-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/coluna-5217-de-carro-por-ai-por-roberto-nasser\/foto-legenda-04-coluna-5217\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Foto-Legenda-04-coluna-5217-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/coluna-5217-de-carro-por-ai-por-roberto-nasser\/foto-legenda-02-coluna-5217-interlagos-3\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Foto-Legenda-02-Coluna-5217-Interlagos-3-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail\" alt=\"\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Alpines novos e antigos Em 2018 Renault comemorar\u00e1 120 anos de surgimento e 20 da opera\u00e7\u00e3o Brasil. Eventos imagin\u00e1veis pelas pretens\u00f5es da empresa: ser, com Nissan e Mitsubishi, terceiro&#8230; <a class=\"read-more-link\" href=\"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/coluna-5217-de-carro-por-ai-por-roberto-nasser\/\">Read more &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":62427,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6010,5661,6008,48],"tags":[5662],"class_list":["post-62426","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colunas","category-de-carro-por-ai","category-destaques","category-noticias","tag-roberto-nasser"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62426","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62426"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62426\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62431,"href":"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62426\/revisions\/62431"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62427"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62426"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistatorque.com.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}