Avaliação – Renault Sandero GT Line 1.6 8V 2013

Fotos: Marcus Lauria

O carro é vermelho. Em sua dianteira, na base do para-choque há uma espécie de spoiler de bom gosto, enquanto os faróis com máscara negra são vistosos. A saia lateral é parruda e as rodas pintadas de preto contrastam com os retrovisores pintados com a mesma cor. Na traseira, o para-choque traz uma espécie de difusor, enquanto a ponteira cromada do escapamento e um aerofólio integrado na cor preta completam o visual.

No interior, volante e alavanca de câmbio são revestidos em couro, com costuras vermelhas. Em volta das saídas de ventilação há anéis em vermelho, cor essa que se aplica também aos cintos de segurança, molduras em volta de velocímetro e conta-giros e também está presente na costura dos bancos. Nos apoios de cabeça dianteiros, inscrições “GT Line” saltam aos olhos, e o conta-giros, apenas ele, é branco e se destaca.

Eis um carro bem esportivo, só que não. Apesar das rodas exclusivas, elas são de aro 15, assim como nos Sandero à paisana, e calçadas por pneus Goodyear GPS3 de medida 185/65 R15, que são cumpridores, mas em um modelo esportivo fica tão adequado quanto um ativista do Greenpeace usando casaco de pele. A suspensão não foi modificada, e entrega ao Sandero GT Line o mesmo comportamento suave e estável de um Logan. O motor é elástico, mas fica desanimado em altos giros, e a alavanca de câmbio é precisa, mas é um pouco boba e tem engates longos.

Mas vamos enxergar o Sandero GT Line como uma moça vistosa, em traje atraente, mas pacata e caseira. Seus lugares preferidos são um cinema ou um bom restaurante, em detrimento a bares e baladas. Vendo dessa forma, o carro da Renault começa a mostrar suas virtudes. Seu motor K7M 1.6 8V foi melhorado, com taxa de compressão aumentada de 9,5:1 para 12:1 (mais adequada ao Etanol), além da adoção de bielas mais leves e pistões redesenhados. O resultado foi uma potência de 98/106 cv @ 5550 rpm e um torque de 14,5/15,5 kgfm @ 2850 rpm (Gasolina/Etanol), enquanto o propulsor anterior entregava  92/98 cv @ 5250 rpm e 13,7/14,1 kgfm @ 2850 rpm.

O carro custa R$ 39.070 e traz de série ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos dianteiros, travas elétricas, rádio com bluetooth, porta USB e comando satélite na coluna de direção, freios com ABS e duplo airbag frontal. Não há opcionais, e a cor vermelha do carro testado é sólida, sem custo adicional. O interior do carro é um latifúndio, na dianteira há espaço de sobra, enquanto na traseira eu diria que cabem três Marcelos (de 1,90 m) sem dificuldade. Seu porta-malas de 320 litros é um dos maiores em sua categoria.

Em movimento, é notável a elasticidade do motor, que entrega 85% do seu torque máximo já a 1.500 rpm. Na prática, é possível retomar de 50 a 100 km/h em quinta marcha sem marasmo, bem adequado para o comportamento típico do motorista brasileiro, que não gosta de reduções. As relações de marcha são ligeiramente curtas, principalmente da 1ª e 2ª, e a 120 km/h em 5ª o motor gira a 3.400 rpm. Apesar das modificações, o bloco é um pouco áspero, principalmente conforme o giro sobe.

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