Chevrolet S10 2.8 CTDi High Country 4WD 2017

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Por Marcelo Silva – Fotos: Marcus Lauria

Grande parte das picapes médias vendidas no Brasil está no ambiente urbano, o que não faz muito sentido. Veja, por exemplo, esta bela S10 High Country das fotos. Suspensão reforçada, capacidade de carga superior a uma tonelada, tração integral com reduzida, torque suficiente para subir paredes ou rebocar navios. Nasceu para viver revestida por uma capa de lama, com um rolo de feno enorme na caçamba e encarando caminhos tortuosos dia e noite. Só que não. A maioria dessas picapes nunca viu lama, vive encerada, só leva compras na caçamba e suas maiores aventuras são a rampa do condomínio ou do Shopping Center.

Então de propósito fiz questão de começar o teste da S10 High Country na cidade, em meio ao mar de carros e à selva de pedra. Mas antes, cabe reservar um momento para ver o que mudou na linha 2017, e verificar que a picape está realmente bem mais bonita. A dianteira ficou mais harmônica e moderna, com direito a assinatura de LEDs nos faróis. Na lateral e traseira, mais do mesmo, e não é uma notícia ruim, visto que a S10 sempre agradou no porte e nos músculos da carroceria. O santantônio aerodinâmico é exclusividade da versão High Country, e deixa a picape ainda mais atraente.

Do lado de dentro se concentram as grandes novidades, especialmente no painel, que teve seu layout renovado e ficou mais requintado. A nova central multimídia é bem completa, oferece espelhamento de celular e tem recursos do On Star. Há novos botões do ar-condicionado, mais intuitivos, e o cluster também passou por mudanças. Apenas o volante continua igual, e também continua igual a falta de regulagem de profundidade da coluna de direção. Fora isso, a posição de dirigir é boa, graças ao ajuste elétrico do banco do motorista. Quanto ao espaço interno, é bom para 5 adultos, embora o encosto do banco traseiro seja um pouco mais ereto que o desejável.

Mas é na tecnologia embarcada – especialmente na segurança ativa – que a S10 evoluiu bastante. Além de controles de tração e estabilidade, há assistente de manutenção em faixa (que toca um alerta sonoro quando você sai da faixa de rolamento sem ligar a seta), assistente de proximidade do carro à frente (que emite alertas sonoros e visuais se houver risco iminente de colisão) e monitor de pressão dos pneus, entre outros itens. Fez falta apenas um controle de cruzeiro adaptativo, que existe na Ranger e talvez venha no próximo facelift, ou na próxima geração da S10.

Manobrar a picape em vagas de garagem ou Shopping é tão difícil quanto parece, afinal estamos falando de algo com 5,40 m de comprimento, 3,09 m de entre-eixos e 1,87 m de largura. Mas seu diâmetro de giro de 12,7 m é menor que o de uma Fiat Toro Diesel (12,9 m), por exemplo, e a direção elétrica introduzida na linha 2017 tornou as coisas muito mais fáceis. Há também sensores de estacionamento nos quatro cantos da carroceria, além da câmera de ré na traseira.

Debaixo do capô há uma usina de força respeitável: 2.8 16V DOHC turbodiesel com injeção direta, que gera 200 cv @ 3.600 rpm de potência e 51 kgfm @ 2.000 rpm de torque. É muito torque! A força é administrada por uma transmissão automática de seis velocidades e despejada nas rodas traseiras por padrão. No console central há um seletor giratório que permite optar por tração 2WD (traseira) ou 4WD (integral), além da reduzida, que serve para tirar a S10 de situações difíceis que difícilmente serão enfrentadas por usuários normais.

Ao rodar na cidade, a S10 está surpreendentemente mais amigável do que antes, com solavancos mais contidos e menos oscilações ao enfrentar a buraqueira nossa de cada dia. Mesmo trazendo suspensão com eixo rígido e feixes de mola na traseira, a picape roda razoavelmente bem com caçamba vazia, sem aquela sensação do motorista estar montando um touro de rodeio. O motor é superlativo para o uso urbano, mas bem dócil se o acelerador for tratado com carinho, e a transmissão com trocas suaves ajuda nesse aspecto. O isolamento acústico é apenas razoável, e pouco abafa o ruído de caminhão do motor. O consumo urbano foi de 8,5 km/l, com ar-condicionado ligado e trânsito pesado.

No uso rodoviário a S10 fica mais à vontade, possibilitando ao motorista explorar devidamente a força do propulsor. E bota força nisso! Nosso teste de aceleração resultou em 9,1 s de 0-100 km/h, e as retomadas são bem rápidas, resultando em ultrapassagens seguras sob qualquer situação. O câmbio efetua as trocas corretamente, podendo ser usado em modo sequencial. E seu sistema de freios praticamente ignora os 2.101 kg de massa da picape, atuando de forma correta e sem desvios de trajetória. Sua suspensão é bem calibrada e permite uma rolagem aceitável da carroceria, com bastante segurança em curvas, algo impensável em picapes de 10 anos atrás. No limite a S10 é sobresterçante, mas o ESP atua no menor indício de derrapagem. Em uso rodoviário, observamos 12,4 km/l de consumo, com ar-condicionado ligado e média de 110 km/h.

Mas há aqueles sortudos que vão levar essa picape ao limite, e nesse ponto ela não desagrada. Carregamos a bruta com 700 kg na caçamba (a capacidade é de 1.049 kg) e ela sentiu pouco o peso, com a traseira baixando dentro do aceitável e sem prejuízo à dinâmica. Novamente a eletrônica embarcada fez sua parte e manteve a picape sob controle. E para os que pretendem se aventurar no off-road, encaramos uma trilha leve com a S10 e ela tirou de letra, graças ao bom vão livre do solo (22,8 cm) e ao ótimo torque combinado à tração integral.

No geral, os R$ 170.990 cobrados pela versão High Country podem soar ofensivos, mas se pararmos para analisar a concorrência, vemos que aToyota Hilux SRX custa R$ 189.970 e a Ford Ranger Limited sai por R$ 179.990. Ambas são semelhantes em equipamentos (com um pouco mais de tecnologia na Ranger) mas a S10 responde com mais torque do que ambas. A capacidade de carga e capacidade off-road delas também é semelhante, com um pouco mais de vantagem aqui ou ali mas, na prática, a S10 está muito bem posicionada perante as concorrentes, e vale bastante o quanto custa.

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