Jaguar XE 2.0 GTDI R-Sport 2016

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Por Marcelo Silva – Fotos: Marcus Lauria

“Esse carro é V8, né? No mínimo V6”, assim dizia o senhor que me abordou no estacionamento de uma lanchonete às margens da Dutra. Na verdade, não. Quem mora debaixo do longo capô é um 2.0 turbo de quatro cilindros, mas o visual do Jaguar XE R-Sport impressiona, especialmente nas saídas duplas de escape na traseira, que antigamente indicavam um carro cujo motor tinha cilindros dispostos em V.

Hipnotizado pelo Jaguar, o mesmo senhor ignorou quando respondi que era um motor de quatro cilindros em linha, e perguntou em seguida qual a potência do carro. 500 cavalos foi o chute dele, mas não chega a tanto, são “apenas” 240 cv entregues a 5.500 rpm. Ainda incrédulo, ele questionou se a tração era traseira, e acertou, mas errou quando chutou que o carro tinha câmbio manual. Na verdade, a transmissão é automática de 8 marchas, feita com carinho pela ZF.

Na saída do estacionamento, ele me pediu para pisar, e deixou subentendido que tentaria me acompanhar com seu Corolla. Passei o carro para modo Dinâmico, afundei o pé no acelerador e o Jaguar acelerou vigoroso até os 100 km/h, deixando o Corolla bem pequeno no retrovisor. De acordo com a Jaguar, o XE R-Sport vai de 0-100 km/h em 6,8 segundos, graças ao torque de 34,7 kgfm disponível das 1.750 até as 4.000 rpm. Toda a força é despejada nos largos pneus traseiros 255/35 ZR19, maiores que os 225/35/ZR19 da dianteira.

Por se tratar de um Jaguar, carro bem raro nas ruas brasileiras, o carro dá um aspecto de ser intocável, mas a linha XE é o modelo de entrada da Jaguar, cujo preço (básico) dessa versão R-Sport fica em R$ 212.160. É um preço similar ao de concorrentes como BMW 328i, Audi A4 e Mercedes C250, carros bem mais comuns nas ruas do que este inglês. Não é barato, mas não custa tanto quanto parece. E embora possa ficar bem caro com os opcionais, o carro já vem bem servido de série, com sistema de áudio da Meridian de 380W e 11 auto-falantes, ar-condicionado dual zone, bancos em couro com visual esportivo, suspensão calibrada de forma mais esportiva (exclusivo da R-Sport), teto solar e central multimídia com tela de 8”.

O carro é baixo, bem baixo, e pede cuidado aos mais altos para acessar seu interior sem bater a cabeça. Mas, uma vez abrigados no interior do Jaguar, todos os ocupantes desfrutam de ótimos bancos de excelente qualidade. O espaço interno é ótimo na dianteira e razoável na traseira, e o porta-malas comporta 450 litros de bagagem. Com 4,67 m de comprimento, 1,85 m de largura e 2,83 m entre os eixos, manobrar o Jaguar não é simples, ainda que o diâmetro de giro de 11,6 m seja razoável. Com a posição de dirigir baixa e a linha de cintura alta, não há muita noção do exterior para quem dirige, mesmo com auxílio de sensores de estacionamento dianteiros/traseiros e câmera de ré.

No uso urbano, o Jaguar atrai tantos olhares quanto uma Panicat loira, e surpreende com uma suspensão capaz de filtrar bem as irregularidades de nosso asfalto lunar, mesmo com pneus perfil 35 e altura de rodagem baixíssima. O carro requer cuidado apenas com buracos, pois as belas rodas na cor preta pouco são protegidas pelos pneumáticos. O conforto está garantido pelo ótimo isolamento acústico e sistemas competentes de som e ar-condicionado, enquanto o desempenho do conjunto motor/câmbio é nota 10. Sua direção elétrica é leve em manobras e, se não fosse pela posição tão baixa de dirigir, o Jaguar XE R-Sport nem parece tão esportivo. Com ar ligado e trânsito pesado, observamos 8 km/l de gasolina em modo ECO.

Por falar em modo ECO, o carro traz quatro modos de condução ajustáveis em botões próximos ao seletor circular do câmbio: Inverno, ECO, Normal e Dinâmico. No modo “Inverno”, o carro altera seus parâmetros de reação do acelerador, trocas de marcha e controles de estabilidade para ser utilizado em situações de neve ou chuva torrencial. No modo “ECO”, o objetivo é consumir menos combustível. Já em modo “Normal”, o carro usa o setup padrão de bom compromisso entre conforto e esportividade e, por fim, no modo “Dinâmico”, a iluminação do cluster muda de azul para vermelha, o controle de estabilidade fica mais permissivo e o carro entrega todo o seu desempenho.

Fato é que, fora de autódromos, pouca diferença é sentida ao usar o modo “Dinâmico”, mas para os iniciados, torna-se deliciosa a permissividade do ESP em curvas de serra, deixando a traseira escapar de leve para o motorista ter o prazer de contra esterçar e trazer o carro de volta. No limite, a tendência do carro é praticamente neutra, e a traseira só escapa mediante abusos, e isso faz o carro ser deliciosamente rápido nas curvas, mérito da ótima distribuição de peso de do ajuste perfeito da suspensão também para uso esportivo.

Mas para trafegar de modo civilizado em estradas, o Jaguar flui bem, graças ao Cx de apenas 0,26 e à solidez excelente de sua estrutura toda feita em alumínio. Seus freios possuem resposta rápida e calibragem ideal, e seu conforto permite longas viagens sem penalizar joelhos ou coluna. O motor 2.0 turbo tem bom torque e casa muito bem com a transmissão de 8 marchas, que encontra sempre a marcha certa para a situação, praticamente dispensando o uso dos paddle shifters atrás do volante. E se o pé direito for domado, como fizemos, o rendimento na estrada é de 14 km/l mas, pisando forte, cai para 7 km/l ou menos.

No geral, o Jaguar XE R-Sport agrada em todos os aspectos, e seus deméritos não conseguem se sobressair diante de tantas qualidades. Como se espera de um carro premium, o Jaguar anda forte, é confortável e chama atenção na medida certa. Eis um belo carro.

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